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Hoje é Sábado, 03 de Janeiro de 2026.
Mais de 600 mil professores da educação básica no Brasil deixarão de pagar Imposto de Renda com a ampliação da faixa de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil. A medida foi sancionada no mês passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integra a Lei nº 15.270/2025. Os dados constam em uma nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou os impactos da reforma tributária sobre a categoria.
Segundo o estudo, a proporção de docentes totalmente isentos do Imposto de Renda mais do que dobrou com a nova legislação. Antes da reforma, apenas 19,7% dos professores não pagavam o tributo. Após a mudança, o percentual chega a 51,6%. Outros 21,9% passam a ter redução no valor pago, o que significa que 73,5% dos profissionais da educação básica terão algum benefício tributário.
No total, cerca de 1 milhão de professores terão aumento na renda disponível, seja por meio de isenção total ou redução do imposto. Desse grupo, aproximadamente 620 mil deixarão de pagar Imposto de Renda. O impacto é especialmente significativo para docentes com salários próximos ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025.
De acordo com o pesquisador do Ipea Paulo Meyer Nascimento, antes da reforma esses profissionais estavam sujeitos à alíquota máxima de 27,5% sobre a base tributável. Com a nova isenção, passam a não pagar nada de IRPF sobre esse rendimento. O ganho médio anual estimado para esse grupo é de R$ 5.079,84, valor equivalente, na prática, a um salário extra ao longo do ano.
Entre os professores com apenas um vínculo empregatício, que concentram as faixas de menor renda, 60,7% passam a ser isentos e 21,1% terão redução do imposto. Já entre aqueles com múltiplos vínculos, cerca de 17,5% da categoria, 32,3% ficarão isentos e 26,1% terão redução. Um cenário intermediário é observado entre docentes que acumulam outra ocupação fora da docência.
A pesquisa também aponta diferenças entre as redes pública e privada. Na rede privada, 82,2% dos professores passarão a ser isentos do Imposto de Renda, percentual bem superior ao da rede pública, onde a isenção alcança 42,5%. A diferença reflete a estrutura salarial, com rendimentos médios mais baixos e maior número de jornadas parciais no setor privado.
O impacto da reforma varia entre os estados. Alagoas, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Roraima concentram mais de 60% dos docentes isentos. Já Amapá, Distrito Federal, Pará e Goiás apresentam percentuais elevados de professores ainda submetidos à alíquota máxima, devido a salários mais altos.
Apesar dos efeitos positivos, os pesquisadores alertam que a medida não substitui políticas de valorização da carreira docente. Segundo o Ipea, a ampliação da isenção melhora a renda disponível, mas não resolve problemas estruturais relacionados à remuneração, especialmente na rede privada, onde os salários frequentemente ficam abaixo do piso nacional.
A nota técnica foi elaborada com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), considerando vínculos formais de trabalho, salários corrigidos pela inflação e sem incluir o décimo terceiro salário ou deduções legais. O estudo identificou cerca de 1,95 milhão de pessoas com pelo menos um vínculo como docente da educação básica no país. Com informações: Agência GOV
