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Por que algumas pessoas pegam dengue e não apresentam sintomas, segundo novo estudo

Pesquisa internacional identifica respostas imunológicas distintas que ajudam a explicar por que parte dos infectados pelo vírus da dengue não desenvolve a doença.
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Dengue é transmitida principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti (Foto: Fabio Rodrigues/g1) Por: Editorial | 18/12/2025 07:50

Nem toda infecção pelo vírus da dengue provoca febre, dores no corpo ou necessidade de internação. Um novo estudo internacional ajuda a explicar por que algumas pessoas permanecem assintomáticas mesmo após a infecção.

Segundo os pesquisadores, indivíduos que não desenvolvem sintomas ativam respostas imunológicas diferentes e potencialmente mais eficientes do que aquelas observadas em pacientes com dengue clássica ou dengue grave.

O trabalho foi liderado por cientistas da Mahidol University, na Tailândia, em parceria com a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicado na revista científica Science Translational Medicine. A pesquisa analisou células do sistema imunológico de pessoas com infecção assintomática, dengue sintomática leve e dengue hemorrágica.

A dengue infecta cerca de 390 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, principalmente em regiões tropicais. Compreender por que apenas uma parte dos infectados desenvolve sintomas graves é um dos principais desafios da pesquisa sobre a doença.

Ao analisar amostras de sangue com técnicas avançadas de transcriptômica de célula única, os cientistas observaram que pessoas assintomáticas apresentam maior ativação de linfócitos T CD8, células responsáveis por destruir células infectadas por vírus. Esses indivíduos também mostraram perfis específicos de células natural killer, que atuam na resposta antiviral precoce.

Além disso, os pesquisadores identificaram sinais de processamento mais eficiente de antígenos virais, etapa essencial para que o sistema imunológico reconheça rapidamente o vírus e inicie sua eliminação. Segundo os autores, essas respostas celulares robustas parecem estar associadas à proteção natural contra o desenvolvimento dos sintomas da dengue.

Já nos pacientes com dengue sintomática, especialmente nos casos mais graves, o estudo encontrou padrões diferentes de resposta imune. Os dados indicam maior envolvimento de mecanismos mediados por anticorpos, incluindo a expansão de plasmablastos produtores de imunoglobulinas e a ação da citocina IL-10, conhecida por modular processos inflamatórios.

Esse tipo de resposta pode favorecer inflamação excessiva e está alinhado a hipóteses já discutidas na literatura científica sobre os mecanismos envolvidos na progressão para formas graves da dengue.

O estudo também acompanhou pacientes sintomáticos por até dois meses, permitindo observar como a resposta imunológica evolui da fase aguda até a recuperação. Os resultados mostram que a ativação das células do sistema imune muda ao longo do tempo, indicando que o desfecho clínico da doença depende de múltiplos fatores.

Entre os pontos fortes da pesquisa estão o alto nível de detalhamento das análises celulares e o acompanhamento longitudinal de parte dos participantes. Como limitação, os autores destacam a dificuldade de recrutar pessoas assintomáticas e o caráter observacional do estudo, que impede estabelecer relações diretas de causa e efeito.

Apesar disso, os pesquisadores afirmam que os achados oferecem um mapa detalhado das respostas imunológicas associadas tanto à proteção quanto à gravidade da dengue. Segundo eles, os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de vacinas e estratégias terapêuticas capazes de estimular respostas semelhantes às observadas em indivíduos naturalmente protegidos contra os sintomas da doença. Com informações: g1




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