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Hoje é Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.
Os acidentes com escorpiões aumentaram 65% em Dourados em 2025, na comparação com todo o ano passado. Até novembro, o município registrou 331 ocorrências, contra 201 em 2024, segundo dados da Coordenadoria em Saúde Ambiental e Toxicológica da Secretaria de Estado de Saúde (CVSAT/SES). Dourados ocupa a terceira posição entre as cidades de Mato Grosso do Sul com mais casos, atrás apenas de Campo Grande e Três Lagoas.
Três Lagoas contabilizou 656 acidentes, crescimento de 47,7% em relação ao ano anterior, enquanto Campo Grande lidera o ranking estadual, com 1.779 registros, alta de 6,6%. Em todo o Estado, foram 5.551 acidentes com escorpiões até novembro, um aumento de 14,7%, o que coloca esses animais como responsáveis por 78,3% dos acidentes com animais peçonhentos em Mato Grosso do Sul.
Apesar do crescimento dos casos, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Dourados registrou queda de 4,5% na procura por serviços relacionados ao escorpionismo em comparação com 2024. Neste ano, foram coletadas 263 amostras. Para o biólogo do setor de Entomologia do CCZ, Jalmir da Silva Ferreira Junior, a subnotificação é um fator preocupante. Segundo ele, a falta de comunicação esconde situações reais causadas por desinformação, negligência e desconhecimento da população sobre a importância de informar a presença de escorpiões.
O especialista aponta ainda a deficiência de ações preventivas individuais, principalmente em imóveis urbanos vazios, que se multiplicam com a expansão imobiliária, além da existência de acumuladores clandestinos e edificações que oferecem condições ideais para a proliferação desses animais. O CCZ atua com divulgação de informações, vistorias feitas por agentes de combate às endemias e ações de educação ambiental.
A presença de escorpiões está associada a ambientes úmidos, escuros e com oferta de alimento, especialmente baratas. Por isso, a orientação é manter os imóveis limpos, sem entulhos, folhagens secas, madeira ou lixo acumulado, além de manter grama aparada, fossas e caixas de gordura vedadas, ralos fechados e instalar soleiras nas portas e telas nas janelas.
Imóveis irregulares podem ser denunciados de forma anônima ao CCZ pelo telefone (67) 2222-2074, disponível para ligações e WhatsApp. Proprietários que não se adequarem à Lei Municipal de Controle de Vetores de Zoonoses podem ser multados. Em 2025, o número de notificações aumentou 28% em relação à média dos últimos 12 anos.
Em Dourados, a espécie mais comum é a Tityus confluens, que não está entre as de maior risco à saúde humana, segundo o Ministério da Saúde. Já o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) e a espécie Tityus stigmurus, consideradas mais perigosas, representam menos de 0,2% dos casos registrados no município.
O escorpião-amarelo, porém, segue sendo o principal responsável por mortes. Dos 33 casos graves registrados no Estado entre 2020 e 2025, cerca de 60% atingiram crianças menores de dez anos, faixa etária que concentra todos os óbitos do período. Em 2025, duas crianças de oito anos morreram após picadas, nos municípios de Naviraí e Chapadão do Sul.
Os meses mais propícios para acidentes vão de setembro a março, quando há maior calor, umidade, oferta de alimento e reprodução dos escorpiões. No primeiro trimestre do ano, os registros costumam ser mais frequentes devido ao período de férias, quando mais pessoas permanecem em casa.
Em caso de picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar imediatamente uma unidade de pronto atendimento do SUS. O soro antiescorpiônico está disponível exclusivamente na rede pública de saúde. Com informações: Dourados News
