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Hoje é Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026.
O Brasil se prepara para realizar o primeiro voo comercial de um foguete orbital a partir do seu território. A missão, programada para acontecer entre os dias 17 e 22 de dezembro, será conduzida a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, e utilizará o foguete HANBIT-Nano, desenvolvido pela startup sul-coreana Innospace. A operação é coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e representa um marco histórico ao colocar o país, pela primeira vez, como anfitrião de um lançamento comercial com inserção de satélites em órbita da Terra.
Foguete HANBIT-Nano posicionado na plataforma de lançamento. (Foto: Divulgação/INNOSPACE)
Com cerca de 22 metros de altura, peso aproximado de 20 toneladas e velocidade que pode chegar a 30 mil km/h, o HANBIT-Nano é capaz de atingir a órbita terrestre em poucos minutos. O voo levará oito cargas úteis, entre cinco satélites e três dispositivos experimentais, desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia, voltados a pesquisas ambientais, comunicação em órbita, monitoramento solar e validação de tecnologias de navegação.
O lançamento também simboliza a retomada dos voos orbitais em Alcântara após mais de duas décadas. Desde o acidente com o Veículo Lançador de Satélites (VLS), em 2003, que matou 21 técnicos e engenheiros, o Brasil havia realizado apenas lançamentos suborbitais. A missão Spaceward, nome dado à operação, representa, portanto, um novo capítulo na história do centro espacial.
Vista área do Aeroporto de Alcântara, localizado na área do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). (Foto: Divulgação/Agência Espacial Brasileira)
Inaugurada em 1983, a Base de Alcântara é considerada estratégica por especialistas devido à sua localização próxima à Linha do Equador, o que permite economia de combustível e maior eficiência nos lançamentos. Além disso, a região apresenta baixa densidade de tráfego aéreo e marítimo e condições meteorológicas favoráveis. Apesar dessas vantagens, o centro permaneceu subutilizado por décadas, em razão do acidente de 2003, entraves jurídicos e conflitos fundiários envolvendo comunidades quilombolas.
Nos últimos anos, esse cenário começou a mudar. A assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) entre Brasil e Estados Unidos, em 2019, abriu caminho para que foguetes com componentes de tecnologia norte-americana fossem lançados a partir de Alcântara. A partir desse acordo, a AEB passou a habilitar empresas privadas interessadas em utilizar a base, entre elas a Innospace.
O governo brasileiro também avançou na resolução das questões fundiárias. Em 2024, foi firmado um termo de conciliação que reconheceu oficialmente o Território Quilombola de Alcântara e delimitou a área destinada ao Centro de Lançamento, buscando garantir segurança jurídica tanto às comunidades tradicionais quanto ao Programa Espacial Brasileiro.
A expectativa é que, com o sucesso da missão, Alcântara passe a atrair novos contratos internacionais, gerando receitas por meio de taxas de lançamento e aluguel de infraestrutura. Para isso, o governo criou a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil, a Alada, que será responsável por intermediar contratos comerciais e tornar o país competitivo no mercado internacional de lançamentos.
Especialistas ressaltam, no entanto, que as vantagens geográficas não são suficientes por si só. A consolidação do Brasil nesse mercado dependerá também de eficiência logística, estabilidade regulatória e custos competitivos em relação a outros centros de lançamento no mundo. Ainda assim, o primeiro voo comercial representa um passo decisivo para a inserção do país na nova economia espacial e para o fortalecimento da indústria aeroespacial nacional. Com informações: g1
