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Site que vende encontros inspirados em doramas entra na mira do Consulado da Coreia do Sul

Serviço que promete passeios românticos com homens coreanos em São Paulo levanta suspeitas de exploração sexual após responsável convidar jovens da comunidade para encontros, inclusive íntimos.
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Site que vende encontro com coreanos em SP e promete ser igual aos doramas entra na mira do Consulado da Coreia do Sul (Foto: Reprodução) Por: Editorial | 03/12/2025 08:28

O site Kdramadate, ativo há pelo menos dois meses e voltado à venda de encontros em São Paulo com homens coreanos, passou a ser investigado pelo Consulado Geral da República da Coreia do Sul e pela Associação Brasileira dos Coreanos. A plataforma promete experiências românticas semelhantes às vistas em produções asiáticas, com passeios, sessões de fotos e até frases famosas de doramas.

O responsável pelo site é Rikito Morikawa, japonês de 23 anos, que, segundo denúncias, também tentou recrutar jovens coreanos da comunidade local para participar do “projeto”. Ele não respondeu aos contatos feitos pelo g1 e pela TV Globo. Seu advogado declarou não falar com o cliente há dois meses, quando Rikito disse que retornaria ao Japão e mencionou trabalhar como “namorado de aluguel” com passeios em parques e motéis.

O Kdramadate oferece quatro pacotes: experiência íntima em motel ou casa, passeio por cafeterias no Bom Retiro ou Avenida Paulista, jantar em churrascaria coreana e passeio no Parque Ibirapuera. Os encontros podem ser reservados por WhatsApp, com pagamento por PIX, cartões e transferência. Prints enviados ao consulado indicam valores de R$ 70 por uma hora de encontro íntimo ou R$ 170 por três horas.

A divulgação utiliza fotos de casal e supostos depoimentos de clientes, mas as imagens foram identificadas como pertencentes ao perfil Oh My Oppa, que oferecia serviços turísticos na Coreia do Sul e está inativo desde 2020.

O consulado em São Paulo soltou dois alertas públicos. No primeiro, pedia que possíveis vítimas de golpe se manifestassem. O segundo, divulgado após coleta de relatos, afirma que o caso envolve exploração sexual. O presidente da Associação Brasileira dos Coreanos, Bruno Kim, relata que a denúncia surgiu entre fãs da cultura coreana, o que motivou o acionamento das autoridades.

Representantes da associação e o advogado do consulado, Rafael Kang, foram ao endereço informado pelo site e descobriram que se tratava do Centro Cultural de Hiroshima, usado indevidamente. Após notificação, Rikito alterou o endereço para a Vila Carrão. Rafael afirma que ao menos dez jovens coreanos foram convidados para participar do projeto, incluindo encontros íntimos, com proposta de pagamento de até R$ 700.

De acordo com a delegada Nadia Aluz, prostituição é legal no Brasil quando praticada por adultos, mas a exploração sexual, quando uma pessoa lucra com o serviço sexual de outra, é crime. A Polícia Civil e o Ministério Público informaram não haver registros oficiais sobre o caso até o momento.

O site apresenta Rikito como “Rick”, supostamente modelo internacional fluente em quatro idiomas e apaixonado pela cultura brasileira. Em suas redes sociais, ele se descreve como “oppa apaixonado pelo Brasil”. A TV Globo apurou que sua autorização de residência foi cancelada pelo Ministério do Trabalho em setembro, devido à perda do motivo justificável para sua permanência no país.

Para a pesquisadora Daniela Mazur, especializada em cultura coreana, o caso evidencia a comercialização de um imaginário romântico construído pelos dramas coreanos e expõe problemas de fetichização racial. Segundo ela, o serviço transforma homens asiáticos em objetos de fantasia alimentados por produtos de entretenimento.

O caso segue sendo apurado pelo consulado e pela Associação Brasileira dos Coreanos, que devem encaminhar as informações às autoridades competentes. Com informações: g1




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