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Hoje é Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026.
O site Kdramadate, ativo há pelo menos dois meses e voltado à venda de encontros em São Paulo com homens coreanos, passou a ser investigado pelo Consulado Geral da República da Coreia do Sul e pela Associação Brasileira dos Coreanos. A plataforma promete experiências românticas semelhantes às vistas em produções asiáticas, com passeios, sessões de fotos e até frases famosas de doramas.
O responsável pelo site é Rikito Morikawa, japonês de 23 anos, que, segundo denúncias, também tentou recrutar jovens coreanos da comunidade local para participar do “projeto”. Ele não respondeu aos contatos feitos pelo g1 e pela TV Globo. Seu advogado declarou não falar com o cliente há dois meses, quando Rikito disse que retornaria ao Japão e mencionou trabalhar como “namorado de aluguel” com passeios em parques e motéis.
O Kdramadate oferece quatro pacotes: experiência íntima em motel ou casa, passeio por cafeterias no Bom Retiro ou Avenida Paulista, jantar em churrascaria coreana e passeio no Parque Ibirapuera. Os encontros podem ser reservados por WhatsApp, com pagamento por PIX, cartões e transferência. Prints enviados ao consulado indicam valores de R$ 70 por uma hora de encontro íntimo ou R$ 170 por três horas.
A divulgação utiliza fotos de casal e supostos depoimentos de clientes, mas as imagens foram identificadas como pertencentes ao perfil Oh My Oppa, que oferecia serviços turísticos na Coreia do Sul e está inativo desde 2020.
O consulado em São Paulo soltou dois alertas públicos. No primeiro, pedia que possíveis vítimas de golpe se manifestassem. O segundo, divulgado após coleta de relatos, afirma que o caso envolve exploração sexual. O presidente da Associação Brasileira dos Coreanos, Bruno Kim, relata que a denúncia surgiu entre fãs da cultura coreana, o que motivou o acionamento das autoridades.
Representantes da associação e o advogado do consulado, Rafael Kang, foram ao endereço informado pelo site e descobriram que se tratava do Centro Cultural de Hiroshima, usado indevidamente. Após notificação, Rikito alterou o endereço para a Vila Carrão. Rafael afirma que ao menos dez jovens coreanos foram convidados para participar do projeto, incluindo encontros íntimos, com proposta de pagamento de até R$ 700.
De acordo com a delegada Nadia Aluz, prostituição é legal no Brasil quando praticada por adultos, mas a exploração sexual, quando uma pessoa lucra com o serviço sexual de outra, é crime. A Polícia Civil e o Ministério Público informaram não haver registros oficiais sobre o caso até o momento.
O site apresenta Rikito como “Rick”, supostamente modelo internacional fluente em quatro idiomas e apaixonado pela cultura brasileira. Em suas redes sociais, ele se descreve como “oppa apaixonado pelo Brasil”. A TV Globo apurou que sua autorização de residência foi cancelada pelo Ministério do Trabalho em setembro, devido à perda do motivo justificável para sua permanência no país.
Para a pesquisadora Daniela Mazur, especializada em cultura coreana, o caso evidencia a comercialização de um imaginário romântico construído pelos dramas coreanos e expõe problemas de fetichização racial. Segundo ela, o serviço transforma homens asiáticos em objetos de fantasia alimentados por produtos de entretenimento.
O caso segue sendo apurado pelo consulado e pela Associação Brasileira dos Coreanos, que devem encaminhar as informações às autoridades competentes. Com informações: g1
