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Hoje é Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026.
A morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como Vaqueirinho, após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, no domingo (30), evidenciou um histórico marcado por vulnerabilidade social, transtornos mentais não tratados e múltiplas ocorrências policiais. Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o jovem acumulava 16 passagens por dano e pequenos furtos, além de já ter sido alvo de pedidos de internação psiquiátrica que não tiveram andamento.
A delegada Josenice de Andrade Francisco informou que o rapaz apresentava sinais evidentes de transtornos mentais, e que na condução mais recente à Central de Flagrantes houve solicitação de internação, mas o pedido não chegou a ser analisado. A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou Gerson durante oito anos, relatou que ele, em algumas ocasiões, ia espontaneamente à delegacia para se entregar, comportamento que reforçava o quadro de desorientação e fragilidade emocional.
Relatos de policiais apontam que ele nutria desde a infância uma obsessão por leões, afirmando que viajaria a pé até a África para cuidar dos animais. A conselheira tutelar relembra episódios de risco motivados por essa ideia, incluindo uma tentativa de entrar clandestinamente em um avião ao cortar a cerca do aeroporto e acessar o trem de pouso de uma aeronave, ação registrada por câmeras e interrompida a tempo por funcionários.
A trajetória do jovem também foi marcada por abandono e pobreza extrema. A mãe tinha diagnóstico de esquizofrenia, e os avós enfrentavam transtornos mentais. A primeira ocorrência envolvendo Gerson ocorreu quando ele caminhava sozinho por uma rodovia federal e foi encaminhado ao Conselho Tutelar. Mesmo após perder a guarda, buscava constantemente reencontrar a mãe, evadia de abrigos e tentava retornar à casa da família. Segundo Verônica, entre os irmãos, ele foi o único a não conseguir adoção em razão do possível transtorno mental, reconhecido formalmente apenas quando ingressou no sistema socioeducativo.
No episódio que levou à sua morte, a Prefeitura de João Pessoa informou que o jovem escalou uma parede de mais de seis metros, ultrapassou grades de proteção, utilizou uma árvore como apoio e entrou no recinto da leoa. A administração municipal afirmou ter aberto apuração interna e destacou que o parque segue normas técnicas e de segurança. A Polícia Militar e o Instituto de Polícia Científica da Paraíba realizaram a perícia no local. Após o ataque, o zoológico foi fechado e as visitas suspensas por tempo indeterminado. Com informações: Bacci Notícias
