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Hoje é Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira (19) novos dados que revelam a persistência alarmante da violência contra mulheres em escala global. Segundo o relatório, quase uma em cada três mulheres – cerca de 840 milhões – já sofreu violência doméstica ou sexual ao longo da vida, número que pouco mudou nos últimos 25 anos.
Nos últimos 12 meses, 316 milhões de mulheres com 15 anos ou mais foram vítimas de violência física ou sexual cometida pelo parceiro íntimo, o equivalente a 11% da população feminina nessa faixa etária. A OMS destaca que o progresso na redução desses índices tem sido “dolorosamente lento”, com queda média de apenas 0,2% ao ano desde 2000.
Pela primeira vez, o levantamento inclui estimativas de violência sexual praticada por agressores que não são parceiros. Esse tipo de violência atingiu 263 milhões de mulheres, embora o número real seja considerado maior em razão do estigma e do medo que dificultam denúncias.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a violência contra mulheres continua sendo uma das injustiças mais antigas e disseminadas no mundo e destacou que nenhuma sociedade pode se considerar justa ou saudável enquanto metade de sua população vive sob ameaça. Para ele, empoderar mulheres e meninas é condição essencial para o desenvolvimento, a paz e a saúde.
O relatório alerta ainda para as consequências físicas e psicológicas impostas às vítimas, como gestações indesejadas, maior risco de infecções sexualmente transmissíveis e altos índices de depressão. Serviços de saúde sexual e reprodutiva são apontados como portas de entrada fundamentais para atendimento adequado às sobreviventes.
A violência também atinge meninas muito jovens: 12,5 milhões de adolescentes entre 15 e 19 anos – 16% do total – sofreram violência física e sexual do parceiro no último ano. Países menos desenvolvidos, afetados por conflitos e vulneráveis às mudanças climáticas registram prevalências maiores. Na Oceania, excetuando Austrália e Nova Zelândia, a taxa chegou a 38%, mais de três vezes a média global.
Embora mais países estejam produzindo dados para embasar políticas públicas, a OMS ressalta lacunas importantes, sobretudo em relação à violência praticada por não parceiros e aos impactos sofridos por grupos vulneráveis, como indígenas, migrantes e mulheres com deficiência. O documento faz um apelo por ações governamentais decisivas e investimentos em prevenção, fortalecimento de serviços de apoio, melhoria dos sistemas de dados e aplicação de políticas que promovam o empoderamento feminino. Com informações: Dourados News
