| Hoje é Sábado, 28 de Fevereiro de 2026.

China volta a superar os Estados Unidos e se torna principal parceiro comercial da Alemanha

Nos primeiros oito meses de 2025, o comércio entre Alemanha e China somou €163,4 bilhões, ultrapassando o total com os EUA. Queda nas exportações alemãs para o mercado americano reflete impacto das tarifas impostas pelo governo Trump.
Facebook WhatsApp
Ampliar
Terminal de contêineres em Bremerhaven, no norte da Alemanha, símbolo da intensa relação comercial do país com China e EUA. (Foto: Divulgação) Por: Editorial | 22/10/2025 08:15

A China ultrapassou os Estados Unidos e voltou a ser o maior parceiro comercial da Alemanha nos primeiros oito meses de 2025, segundo dados preliminares divulgados pelo escritório de estatísticas alemão e compilados pela Reuters.

De janeiro a agosto, o comércio total entre Alemanha e China — somando exportações e importações — atingiu €163,4 bilhões, enquanto o volume com os Estados Unidos ficou ligeiramente abaixo, em €162,8 bilhões.

O movimento reverte a tendência observada em 2024, quando os EUA haviam assumido o posto de principal parceiro comercial da Alemanha, encerrando uma sequência de oito anos de liderança chinesa.


Efeito das tarifas americanas

A mudança ocorre em meio à retomada de políticas tarifárias mais rígidas por parte do governo dos Estados Unidos, após o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

As exportações alemãs para os EUA caíram 7,4% entre janeiro e agosto em relação ao mesmo período de 2024, totalizando €99,6 bilhões. Em agosto, a queda chegou a 23,5% na comparação anual, reforçando a desaceleração do comércio bilateral.

“Não há dúvida de que a política tarifária e comercial dos EUA é uma razão importante para o declínio nas vendas”, afirmou Dirk Jandura, presidente da Associação Alemã de Comércio Exterior (BGA).

Jandura explicou que a demanda americana por produtos tradicionais da indústria alemã, como automóveis, maquinário e produtos químicos, tem diminuído.

O economista Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, acrescentou que, com a ameaça de novas tarifas e a valorização do euro, as exportações alemãs para os EUA dificilmente se recuperarão no curto prazo.


Aumento das importações da China

Embora as exportações da Alemanha para a China também tenham recuado — 13,5% nos primeiros oito meses de 2025, para €54,7 bilhões —, o crescimento das importações chinesas compensou o movimento.

As importações da China aumentaram 8,3%, alcançando €108,8 bilhões, o que explica o avanço do país asiático no balanço total do comércio.

“O novo boom de importações da China é preocupante”, avaliou Brzeski. “Os dados mostram que muitas dessas importações estão sendo realizadas a preços de dumping, o que eleva a dependência alemã e pressiona setores estratégicos em que a China se tornou um competidor direto.”

O economista Salomon Fiedler, do banco Berenberg, observou que, diante da fraqueza econômica interna da Alemanha, o país tende a ficar mais vulnerável às oscilações do comércio global.

“Sem dinamismo doméstico, qualquer mudança nos mercados mundiais pode gerar preocupação adicional entre empresas e investidores alemães”, afirmou Fiedler.

Com informações: IstoÉDinheiro




PORTAL DO CONESUL
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 44.118.036/0001-40
E-MAIL: portaldoconesul@hotmail.com
Siga-nos nas redes sociais: