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Hoje é Sexta-feira, 02 de Janeiro de 2026.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os serviços de apostas online, conhecida como CPI das Bets, ouvirá a influenciadora Virgínia Fonseca e a advogada Adélia de Jesus Soares, que foram convocadas a prestar depoimentos na terça-feira, 13, e quarta-feira, 14. Ambas foram chamadas pelo colegiado do Senado como testemunhas.
A reportagem tentou contato com Virgínia Fonseca e Adélia Soares, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
As convocações foram solicitadas pela senadora Soraya Tronicke (Podemos-MS), relatora da CPI das Bets. Para Soraya, a presença de Virgínia é crucial, pois ela é uma das principais responsáveis pela divulgação de empresas de apostas online nas redes sociais. Com mais de 100 milhões de seguidores somando Instagram, TikTok e YouTube, Virgínia tem uma ampla base de fãs.
"A influenciadora esteve envolvida em campanhas de marketing para casas de apostas nos últimos anos, utilizando sua grande audiência para promover essas atividades. Dado o impacto de sua comunicação no comportamento dos consumidores, é fundamental entender o alcance e as responsabilidades éticas dessas ações, especialmente em um setor com potenciais implicações sociais, como o das apostas online", afirmou a senadora.
Soraya Tronicke enfatizou que, após o depoimento de Virgínia, será possível investigar os conflitos éticos nas propagandas de casas de apostas e discutir a necessidade de regulamentações mais rigorosas nesse setor. O requerimento foi aprovado em novembro do ano passado, sendo esta a primeira vez que o depoimento de Virgínia consta na agenda da comissão.
Adélia Soares, que também tem uma grande presença na internet com mais de dois milhões de seguidores no Instagram, participou da edição de 2016 do programa Big Brother Brasil e é conhecida por defender influenciadores digitais em processos judiciais. Uma de suas clientes é Deolane Bezerra, investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e promoção de jogos ilegais. Deolane seria ouvida pela CPI, mas a oitiva foi barrada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Em setembro, Adélia foi indiciada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por falsidade ideológica e associação criminosa, em razão de sua atuação com uma organização estrangeira envolvida na estruturação e operação de jogos ilegais no Brasil.
De acordo com Soraya Tronicke, Adélia deverá esclarecer sua participação em empresas relacionadas a apostas online, a fim de ajudar os parlamentares a entender melhor os crimes envolvendo essas apostas com conexão internacional.
"É imprescindível que a convocada forneça detalhes sobre sua participação nos fatos investigados, o funcionamento do esquema ilícito e as possíveis conexões internacionais associadas às práticas de jogos de azar e lavagem de dinheiro", destacou Soraya no requerimento.
Em março, Adélia foi ouvida pela CPI das Bets, mas o depoimento ocorreu de forma sigilosa. No dia 29 do último mês, ela deveria comparecer a uma nova sessão, mas não compareceu, e o depoimento foi adiado.
Na semana passada, o empresário Daniel Pardim foi preso em flagrante por falso testemunho, sob determinação de Soraya Tronicke. A prisão ocorreu depois que Pardim se recusou a fornecer detalhes sobre sua participação na empresa Peach Blossom River Technology, investigada por envolvimento com apostas ilegais e possível participação em um esquema de lavagem de dinheiro.
