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Hoje é Sábado, 03 de Janeiro de 2026.
A onça-pintada que atacou e matou o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos. O felino, um macho de 94 quilos, chegou ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande, onde passará por exames e avaliação clínica.
A captura do animal foi realizada com armadilhas, com apoio do professor Gediendson Araújo, especialista em grandes felinos do Reprocon (Reprodução para Conservação), além de equipes do Imasul, ICMBio e UFMS.
“Optamos por realizar a captura no mesmo ponto onde o animal foi visto na noite anterior, com base em pegadas e no padrão físico”, explicou Araújo. Segundo ele, o comportamento da onça indica perda do medo natural de humanos, o que contribuiu para o ataque. “É um caso raro, mas preocupante”, completou.
Além dos exames clínicos, a Polícia Civil investiga o ataque para confirmar as circunstâncias da morte. O animal está abaixo do peso ideal – deveria pesar cerca de 120 quilos –, o que levanta suspeitas sobre sua saúde. “Vamos verificar se há alguma doença que possa justificar essa condição e se está relacionada ao ataque”, disse o pesquisador.
O secretário-executivo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Artur Falcette, afirmou que o animal será monitorado no CRAS e poderá ser incluído em um programa federal de manejo, sob responsabilidade do ICMBio. “Nos solidarizamos com a família da vítima. Agora, seguimos com os protocolos técnicos e legais.”
Um dos pontos levantados pela investigação é a prática da ceva – oferta de alimento a animais silvestres, usada para atração ou observação – que é proibida por lei. “Estamos atentos a possíveis grupos que queiram se aproveitar da situação para caçar. Isso é crime ambiental e será tratado com rigor”, alertou o tenente Alexandre Saraiva Gonçalves, da Polícia Militar Ambiental.
O caso reacende o debate sobre a convivência entre humanos e a fauna do Pantanal, destacando a importância de respeitar as leis ambientais e manter práticas sustentáveis na região.
