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Hoje é Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026.
Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (24), no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, o governador Eduardo Riedel anunciou que não afastará as delegadas envolvidas no atendimento à jornalista Vanessa Ricarte, assassinada em 12 de fevereiro deste ano. Segundo Riedel, as delegadas continuarão no cargo até a conclusão do inquérito, afastando rumores sobre possíveis mudanças.
"Se formos nos basear no que dizem, seremos injustos. Precisamos de uma apuração detalhada antes de tomar qualquer decisão", afirmou o governador, destacando que a conclusão do inquérito está prevista para ainda esta semana. No entanto, ele ressaltou que os problemas enfrentados pela Casa da Mulher Brasileira (CMB), onde o atendimento à jornalista foi realizado, são mais complexos e exigem mudanças estruturais.
Riedel apontou que não é possível esperar uma transformação imediata nas condições da Casa da Mulher Brasileira, sugerindo a necessidade de melhorias tanto na recepção quanto na infraestrutura e tecnologia disponíveis. "Não é aceitável um laudo preenchido à mão. Já era para termos um sistema mais eficiente", declarou o governador.
Outro ponto levantado por Riedel foi o volume represado de boletins de ocorrência na CMB, com cerca de seis mil registros pendentes, o que levou o governo a formar uma força-tarefa para agilizar a apuração. Durante os dez anos de funcionamento da instituição, aproximadamente 80 mil boletins foram registrados, e 19 delegados terão três meses para analisar os seis mil casos acumulados.
A reestruturação da CMB, segundo Riedel, é uma prioridade do governo estadual, que mantém diálogo constante com a Prefeitura de Campo Grande para melhorar a gestão da casa. "Vamos conversar com todos os envolvidos para garantir as mudanças necessárias", afirmou o governador.
O caso de Vanessa Ricarte, assassinada pelo ex-noivo Caio Nascimento, de 47 anos, trouxe à tona falhas no atendimento à vítima, especialmente após ela ter afirmado, em áudio enviado a um amigo, que foi mal recebida na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Em defesa das delegadas, a Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul (ADEPOL/MS) repudiou a forma como o caso foi tratado após a divulgação do áudio, alegando um tratamento unilateral e abusivo.
Vanessa, 42 anos, moradora de Campo Grande e servidora do Ministério Público do Trabalho (MPT), foi morta quatro dias antes de seu aniversário de 43 anos. O feminicídio gerou ampla repercussão e cobrou respostas das autoridades locais. (Com informações Correio do Estado)
