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Hoje é Domingo, 15 de Fevereiro de 2026.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) foi palco, nesta terça-feira (26), de um forte repúdio por parte dos deputados estaduais contra uma recente declaração do CEO do grupo Carrefour. O executivo afirmou que a varejista não compraria mais carnes do Brasil e do Mercosul devido a questões relacionadas à sanidade do rebanho. Em seu discurso, o deputado e 1º secretário da ALEMS, Paulo Corrêa (PSDB), expressou decepção com a postura do grupo francês, destacando a qualidade superior da carne produzida no Estado.
“Ficamos muito mal impressionados com o grupo Carrefour. A carne do Mato Grosso do Sul é reconhecida no mundo inteiro, inclusive na China, que compra a maior parte do nosso produto. A França, que compra apenas 3% de nossa carne, não tem moral para falar sobre isso”, afirmou Corrêa, que também elogiou os esforços dos governadores e lideranças empresariais que ajudaram a tornar a carne do MS livre de febre aftosa, sem vacinação, um feito que inclui governos de diferentes partidos.
O deputado também criticou a declaração do CEO do Carrefour em um momento delicado para o agronegócio, quando o Mercosul assina acordos comerciais com a União Europeia. Corrêa considerou a atitude do grupo como parte de uma estratégia para prejudicar o mercado brasileiro, especialmente diante da crescente competitividade da carne do Mercosul. Ele defendeu uma retratação oficial por parte do Carrefour e considerou necessário um posicionamento firme do Brasil sobre o tema.
O deputado Junior Mochi (MDB) também manifestou seu apoio à Moção de Repúdio, ressaltando que a declaração prejudica a imagem da carne brasileira e questionou a credibilidade das alegações sobre a sanidade do rebanho. “Essa declaração pode gerar um grande problema para o Brasil, pois a questão da sanidade do rebanho foi superada no nosso país, e o Mato Grosso do Sul é um exemplo disso”, argumentou Mochi.
Outro deputado, Zé Teixeira (PSDB), afirmou que a polêmica está relacionada a interesses comerciais e que a França tem agido de forma protecionista, tentando enfraquecer a competitividade da carne do Mercosul. “Isso é uma briga de mercado. O Carrefour está acompanhando os empresários franceses, que estão tentando prejudicar o setor”, explicou. A questão gerou, inclusive, um boicote do Carrefour aos produtos brasileiros, que os parlamentares consideram injustificável.
O presidente da ALEMS, Gerson Claro (PP), reforçou a postura institucional da Casa na defesa dos interesses do Estado e do Brasil. “Vamos receber a Moção de Repúdio e continuar buscando o diálogo. A nossa missão é garantir que o Brasil e Mato Grosso do Sul continuem sendo reconhecidos pelo mundo como produtores de carne de alta qualidade", afirmou Claro, destacando que o problema precisa ser resolvido com diplomacia e sem prejuízos econômicos para o País.
