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Durante a sessão ordinária desta manhã (23) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), a deputada Lia Nogueira (PSDB) apresentou preocupantes dados sobre crimes sexuais contra crianças e adolescentes em Dourados. Ela anunciou a intenção de enviar um requerimento ao Governo do Estado e à Secretaria de Segurança Pública solicitando a criação de uma Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente na cidade, que é a maior do interior. “Esses números alarmantes e a falta de proteção para nossas crianças e adolescentes que estão sendo vítimas de estupro não podem continuar”, afirmou.
Lia Nogueira destacou dados do Anuário Nacional de Segurança e da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. “Dourados ocupa o quinto lugar em número de casos de estupro de vulnerável. Entre janeiro e 16 de outubro deste ano, foram registradas 167 ocorrências, em uma cidade com menos de 140 mil habitantes, sendo 128 casos no perímetro urbano e na zona rural”, detalhou.
A deputada ressaltou que a Delegacia de Atendimento à Mulher já realiza atendimento a crianças e adolescentes, mas enfrenta um acúmulo de demandas não atendidas. “O Estado lidera índices de violência contra mulheres, e esse cartório não contabiliza abuso, pedofilia ou maus-tratos. Somente na Polícia Civil, há 25 boletins de ocorrência de violência contra crianças aguardando processamento e 221 inquéritos em andamento, sem considerar outros delitos”, explicou.
“Estamos perdendo a batalha contra a violência. Crianças estão expostas a situações traumáticas inimagináveis. Os dados de 2020 e 2021 mostraram uma redução, mas agora enfrentamos um aumento de 9,6% na violência em Mato Grosso do Sul. Precisamos urgentemente de uma delegacia estruturada para afastar os agressores”, afirmou Lia Nogueira.
A deputada Gleice Jane (PT) também manifestou preocupação com a situação. “A CPI da Violência em 2013 já evidenciava esses dados. A Casa da Mulher Brasileira em Dourados será um suporte, mas é fundamental a parceria entre os entes federativos. O debate deve ser ampliado para a Educação, pois muitas violências ocorrem em casa e são descobertas nas escolas. A violência contra crianças e mulheres é um tema sério e precisa de um enfrentamento cultural mais profundo. Não podemos permitir que haja mais violência sem as devidas respostas do sistema”, concluiu.
