Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta terça-feira (15), concluiu que o governo de Nicolás Maduro cometeu crimes contra a humanidade antes, durante e após as controvertidas eleições presidenciais de julho na Venezuela. A investigação amplia as descobertas apresentadas em um relatório anterior ao Conselho de Direitos Humanos, documentando diversas violações e crimes perpetrados pelas forças de segurança e grupos armados pró-governo.
Entre as violações citadas estão detenções arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e violência sexual, que teriam sido realizados "como parte de um plano coordenado para silenciar opositores". As vítimas incluem crianças, adolescentes e pessoas com deficiência.
O relatório também acusa o governo de utilizar uma "máquina de repressão" planejada para criar um "clima de medo" na população. Desde outubro de 2023, no contexto eleitoral, o Estado reativou mecanismos de repressão para desmantelar a oposição política organizada. Após as eleições de 28 de julho de 2024, as autoridades intensificaram sua repressão, silenciando opositores e criando um ambiente de temor generalizado.
As pessoas detidas enfrentam ameaças e atos de tortura para forçá-las a se autoincriminar, e a situação de crianças e adolescentes detidos é considerada especialmente grave, pois não recebem a proteção necessária.
A missão da ONU afirmou que há razões razoáveis para acreditar que as violações dos direitos humanos constituem crimes contra a humanidade, ocorrendo como parte de uma política estatal destinada a silenciar a oposição ao governo de Maduro.