O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (25) a taxação dos super-ricos como uma estratégia para combater desigualdades sociais e enfrentar a crise climática. Em um discurso enfático, Lula também fez duras críticas à "arquitetura financeira" global e pediu uma reforma abrangente na governança dos órgãos e conselhos das Nações Unidas (ONU) e de outras entidades multilaterais.
Para o presidente, a cobrança de impostos sobre os bilionários pode ser um importante instrumento de justiça social e ambiental. “A taxação de super-ricos é uma forma de combater a desigualdade e direcionar recursos a prioridades de desenvolvimento e ação climática”, afirmou.
Críticas ao endividamento global
Lula criticou o atual sistema financeiro internacional, ressaltando as desvantagens enfrentadas por países em desenvolvimento, como a alta taxa de juros aplicada a essas nações em comparação às economias ricas. Segundo ele, essa discrepância impede o crescimento econômico em diversas regiões.
“O primeiro passo é eliminar o caráter fortemente regressivo da arquitetura financeira internacional. Países em desenvolvimento enfrentam custos desproporcionais na obtenção de financiamento, com taxas de juros muito mais altas que as aplicadas a nações ricas”, destacou o presidente.
Ele também chamou a atenção para o impacto do endividamento nas economias emergentes, afirmando que ele "estrangula o investimento em infraestrutura, bem-estar e sustentabilidade". Como exemplo, Lula citou que, em 2022, a diferença entre o valor que os países em desenvolvimento pagaram a credores externos e o que receberam em recursos foi de 49 bilhões de dólares.
Reforma nos órgãos multilaterais
Lula também criticou a sub-representação de países da América Latina, Caribe e África em órgãos globais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Ele argumentou que, enquanto esses organismos cresceram ao longo dos anos, a representatividade das nações em desenvolvimento não acompanhou essa expansão.
“Quando foram criados, o FMI e o Banco Mundial tinham 12 assentos para juntas executivas em um universo de 44 países. Hoje, são 25 cadeiras para 190 nações. Mantidas as proporções, essas juntas deveriam ter ao menos 52”, disse Lula.
O presidente ainda criticou a disparidade de poder em fundos ambientais, onde potências possuem cadeiras exclusivas, enquanto países com grandes florestas, essenciais para o combate às mudanças climáticas, são obrigados a compartilhar assentos.
“Essa lógica excludente se repete em várias instâncias. Nos fundos verdes, países florestais e megadiversos são obrigados a dividir cadeiras, enquanto os países ricos ocupam assentos exclusivos”, ressaltou.
No dia anterior, durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula já havia abordado o tema da representatividade, afirmando que a falta de inclusão do Sul Global nos principais órgãos internacionais reflete uma "lógica colonial" perpetuada pelas grandes potências.