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Hoje é Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026.
Na noite de segunda-feira (23), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado com o Goalkeeper Global Award, em evento realizado no palco do Jazz at Lincoln Center, próximo ao Central Park, em Nova York. O prêmio, entregue pelo bilionário e fundador da Microsoft, Bill Gates, reconhece líderes que têm feito diferença no mundo. Lula foi agraciado por suas iniciativas globais no combate à fome, uma questão que, segundo Gates, o Brasil vem liderando, especialmente à frente do G20.
“O legado dele como líder é inspirador", afirmou Gates ao apresentar Lula. O empresário destacou as metas traçadas pelo Brasil para erradicar a fome até 2030, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Lula, em seu discurso, destacou sua obsessão por combater a fome, atribuindo isso à sua própria história. “Nasci no Nordeste, e minha mãe teve que ir para São Paulo com 8 filhos. Eu comi pão pela primeira vez aos 7 anos. É inadmissível que, no mundo moderno, enquanto visitamos planetas, tenhamos crianças dormindo com fome", disse o presidente, recebendo aplausos. Ele argumentou que a fome é resultado da irresponsabilidade dos governantes, não da natureza.
Embora tenha elogiado a criação da Fundação Bill & Melinda Gates, Lula foi enfático ao afirmar que as doações privadas, por si só, não resolverão o problema da miséria. "O que acaba com a fome no mundo não é caridade, são políticas públicas", pontuou.
O presidente brasileiro também teceu duras críticas à atual estrutura das Nações Unidas (ONU), cuja Assembleia Geral começaria na mesma semana, em Nova York. "Quando a ONU foi criada, tinha 41 países. Agora são 193, e mais de 140 não participaram da fundação. A ONU que criou Israel agora não tem força para criar o Estado Palestino", disse Lula, defendendo a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Ele criticou o poder de veto exclusivo dos cinco membros permanentes, alegando que isso enfraquece a instituição e priva os países mais pobres de representação.
Lula também fez uma crítica indireta à concentração de riqueza, sem mencionar diretamente o nome de Elon Musk. Ele apontou a contradição entre os super trilionários que investem em exploração espacial enquanto a fome e outras necessidades urgentes continuam sem solução. "Os mais ricos do mundo estão construindo foguetes, tentando encontrar outro lugar para morar, quando deveriam aprender a cuidar da Terra", provocou.
Ao abordar a desigualdade econômica, Lula foi contundente: "O problema do mundo não é falta de dinheiro. Há trilhões de dólares flutuando pelo espaço aéreo e pelos oceanos, enquanto pessoas enriquecem sem produzir nada, apenas através da especulação." Ele afirmou que se o dinheiro gasto em armamentos fosse redirecionado para o combate à fome e o apoio à agricultura familiar, o problema da fome no mundo seria resolvido.
Sem deixar de provocar, Lula questionou a disparidade de riqueza global: "Não sou contra alguém ser rico. Sou contra a pobreza, porque não quero que as pessoas vivam na miséria. Mas como pode uma pessoa sozinha ter mais dinheiro que o Reino Unido ou o Brasil, com 210 milhões de habitantes? Precisamos de um ajuste global."
Lula encerrou seu discurso lembrando uma cena que o impressionou em Nova York, onde viu pessoas em fila para pegar sopa. "Fiquei indignado. Como pode o estado mais rico do mundo, com tanta tecnologia, ainda ter gente pobre esperando por uma sopa? O Estado precisa garantir condições de sobrevivência dignas para todos", declarou.
O presidente também refletiu sobre sua trajetória e o atual momento de sua vida. "Aos 78 anos, vivo o melhor momento da minha vida. Não sou um homem radical. Fui sindicalista e sempre lutei por melhores condições para os trabalhadores, e minha tese era capitalista, não marxista", concluiu.
Lula foi amplamente aplaudido durante o evento, reforçando seu compromisso com o combate à fome e a desigualdade global.
