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Hoje é Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026.
Um jovem indígena foi fatalmente atingido na cabeça por um tiro na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira (18), durante a retomada da Fazenda Barra, realizada por policiais militares no município de Antônio João.
O governador do estado, Eduardo Riedel, esteve em reuniões para solicitar esclarecimentos sobre o incidente, que ocorre em meio a conflitos fundiários. A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul também se pronunciou, mencionando que alguns indígenas estavam armados e que "facções criminosas" demonstram interesse na área devido ao tráfico de drogas.
A ex-ministra da Agricultura e atual senadora Tereza Cristina classificou o episódio como uma "tragédia anunciada." Segundo ela, houve várias tentativas de diálogo com o Ministério da Justiça e o Supremo Tribunal Federal, mas a falta de clareza sobre a legislação vigente gera insegurança, levando a conflitos entre indígenas e proprietários rurais.
Tereza destacou que a propriedade em questão é protegida pela polícia e pela Força Nacional há meses, devido a uma liminar que proíbe a entrada de indígenas, garantindo a posse da terra aos produtores. Ela alertou que a área é próxima à fronteira com o Paraguai, onde há cultivo de maconha, atraindo indígenas em busca de emprego, o que aumenta as tensões.
Embora o relatório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ainda não tenha sido divulgado, Tereza insinuou que o indígena morto pode ter avançado em direção à polícia armado, instigado por grupos criminosos.
O comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, apoiou a análise da senadora, afirmando que a situação em Mato Grosso do Sul, onde 30% do território é ocupado por reservas indígenas ou em disputa, gera instabilidade há muito tempo. Segundo ele, muitas aldeias estão dominadas pelo tráfico, o que resulta em um ambiente de violência e exploração, tornando os indígenas vulneráveis a manipulações por parte de líderes criminosos.
