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Hoje é Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem enfrentado o desafio de estreitar laços com as Forças Armadas sem alienar sua base eleitoral. Em uma semana movimentada, ele participou de três eventos envolvendo militares e, ao mesmo tempo, reativou a Comissão de Mortos e Desaparecidos da Ditadura, ação que ressoa com setores mais à esquerda de seu governo.
No dia 21 de agosto, Lula compareceu a um evento do Dia do Soldado, onde, embora não tenha discursado, ouviu atentamente a Ordem do Dia proferida pelo Comandante do Exército, Tomás Paiva. O comandante destacou o compromisso das Forças Armadas em respeitar a Constituição de 1988.
Nos dias seguintes, Lula seguiu com sua agenda militar, visitando o Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Brasileira (FAB) na terça-feira (27) e participando da comemoração dos 25 anos do Ministério da Defesa na quarta-feira (28). Neste último evento, Lula enfatizou que as Forças Armadas devem operar de forma apartidária e elogiou o ministro da Defesa, José Múcio, como o melhor a ocupar o cargo na história do Brasil.
Politicamente, Lula e Múcio têm trabalhado para acalmar qualquer tensão residual entre o governo e os militares, principalmente após o envolvimento de alguns setores das Forças Armadas nos atos golpistas de 8 de janeiro. A confiança entre Lula e os militares tem se consolidado, especialmente após o presidente evitar críticas ao golpe de 1964 e garantir que não haverá mudanças no sistema previdenciário militar. Durante o evento, também foi anunciada a implementação do alistamento militar feminino voluntário a partir de 2025.
Entretanto, a relação ainda enfrenta desafios, como o contingenciamento de R$ 15 bilhões anunciado pelo governo, o que preocupa as Forças Armadas. O Comandante Tomás Paiva, durante o evento do Dia do Soldado, pediu que o governo não negligencie os investimentos em veículos e armamentos militares.
Apesar dessas tentativas de aproximação, Lula não deixou de atender demandas de sua base progressista. Na sexta-feira (30), o governo retomou os trabalhos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, interrompidos durante a gestão de Jair Bolsonaro. O anúncio foi feito pelo ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, que também revelou planos para a construção de dois memoriais em homenagem às vítimas da ditadura militar, iniciativa que contou com o apoio de Lula.
O presidente Lula, portanto, caminha em uma linha tênue, tentando equilibrar a reconquista da confiança das Forças Armadas enquanto mantém o apoio de setores que demandam justiça e memória histórica.
