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Macron volta a recusar nomeação de primeira-ministra indicada pela esquerda e gera crise na França

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Divulgação Por: Editorial | 27/08/2024 15:19

O presidente francês Emmanuel Macron provocou uma nova crise política ao recusar, na última segunda-feira (26), a nomeação de Lucie Castets, candidata da coligação de esquerda, para o cargo de primeira-ministra. Macron justificou sua decisão com o argumento de preservar a "estabilidade institucional".

A medida, contudo, desencadeou uma forte reação da Nova Frente Popular (NFP), coalizão de esquerda que venceu as eleições legislativas de junho na França. Embora não tenha obtido a maioria absoluta, a NFP conquistou a maior bancada da câmara baixa, com 193 deputados, superando o bloco centrista de Macron, que possui 164 parlamentares, e a extrema-direita, com 143 cadeiras.

A NFP argumenta que, como maior bancada, tem o direito de indicar o primeiro-ministro, configurando o que na política francesa é conhecido como "coabitação" — quando o presidente governa ao lado de um primeiro-ministro com políticas possivelmente divergentes.

Líderes da coalizão de esquerda, que inclui a França Insubmissa (LFI), socialistas, ecologistas e comunistas, acusaram Macron de "negar a democracia" com sua decisão. Jean-Luc Mélenchon, representante da LFI, foi às redes sociais anunciar que pedirá o impeachment de Macron, alertando para a gravidade da situação. "O Presidente da República acaba de criar uma situação excepcionalmente grave. A resposta popular e política deve ser rápida e firme", declarou Mélenchon.

Olivier Faure, líder do Partido Socialista, exigiu que Macron respeite "os resultados das urnas e os franceses", enquanto Fabien Roussel, líder do Partido Comunista, comparou Macron ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, acusando-o de não respeitar a democracia. "Emmanuel Macron despreza a República, é uma traição, um golpe de Estado. Este 26 de agosto permanecerá como um dia difícil na história da Quinta República", afirmou Roussel à rádio RTL France.

Marine Tondelier, líder dos ecologistas, criticou duramente o argumento de estabilidade usado por Macron. "Mais de 3/4 dos franceses querem mudança, precisam dela! Obviamente ele quer 'estabilidade', o que beneficiaria os mais ricos que se aproveitaram de suas políticas nos últimos sete anos", escreveu Tondelier.

Em resposta à decisão de Macron, sindicatos, organizações juvenis e eleitores da esquerda anunciaram uma grande mobilização nacional para 7 de setembro, prometendo intensificar a pressão contra o governo.

Turbulência Política

A atual turbulência política na França tem origem nas próprias ações de Macron, que dissolveu a Assembleia Nacional e antecipou as eleições parlamentares após seu partido sofrer uma derrota para a extrema-direita nas eleições europeias em junho. A manobra, que visava conter o avanço da direita radical, resultou em uma aliança ampla entre partidos centristas e de esquerda, que conseguiu evitar que o Reagrupamento Nacional (RN), partido de Marine Le Pen, alcançasse a maioria dos assentos. Contudo, a decisão de Macron em rejeitar a indicação da esquerda para o cargo de primeira-ministra sinaliza novos desafios para a estabilidade política do país.




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