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Hoje é Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um impasse na crise venezuelana, sem perspectiva clara de resolução. Apesar das recentes frustrações, a aposta brasileira continua sendo uma solução política. Entre os desafios enfrentados, destacam-se a retirada do México das negociações ao lado de Brasil e Colômbia, a frustração quanto à divulgação das atas eleitorais, e a rejeição das propostas apresentadas por Lula e seus aliados.
Esses obstáculos provocaram uma mudança de tom por parte do Brasil, com críticas inéditas ao regime chavista. O próprio Lula chegou a classificar o governo de Nicolás Maduro como um "regime muito desagradável" com um "viés autoritário".
Nos bastidores, o governo brasileiro avalia que o clima permanece tenso, com ambas as partes — oposição e governo — intransigentes em aceitar qualquer solução que não reconheça sua vitória.
Durante a semana, Lula sugeriu duas possíveis saídas para a crise: novas eleições ou um governo de coalizão. No entanto, essas propostas foram rejeitadas tanto por atores internacionais quanto pela líder da oposição, María Corina Machado, e pelo próprio Maduro, que se mostrou resistente a interferências externas, mesmo de aliados como o Brasil.
Assessores de Lula minimizam os reveses, afirmando que as propostas são, na verdade, tentativas de testar ideias em busca de uma solução viável nas negociações. O foco, segundo um aliado, é manter o diálogo no campo político.
Membros do governo destacam que há uma lista de condições essenciais para viabilizar um diálogo entre Maduro e a oposição, como anistia em uma eventual transição de poder e suspensão de sanções internacionais. No entanto, ainda não há um caminho claro para a resolução do conflito.
A retirada do México, que inicialmente integrava a frente diplomática junto ao Brasil e Colômbia, enfraqueceu a iniciativa, mas não a inviabilizou.
Outro revés veio dos Estados Unidos. Após notícias de que o presidente Joe Biden apoiaria novas eleições na Venezuela, a Casa Branca recuou, distanciando-se dessa proposta.
A crise institucional na Venezuela se intensificou com as eleições presidenciais realizadas no final de julho, que reelegeram Maduro em meio a fortes contestações. A principal questão no momento é a divulgação das atas eleitorais, ainda pendente pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral), apesar da pressão internacional, inclusive do Brasil.
Diante da falta de transparência e das recusas às propostas de Lula e do presidente colombiano, Gustavo Petro, o governo brasileiro adotou uma postura mais crítica. Na quinta-feira (15), Lula declarou publicamente que não reconhece Maduro como vencedor das eleições, afirmando que "ele sabe que está devendo explicações para a sociedade brasileira e para o mundo".
Reforçando essa posição, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou em audiência no Senado que o Brasil não reconhecerá o resultado sem as atas eleitorais.
Há uma percepção crescente de que Maduro deve permanecer no poder, pelo menos no curto prazo. Por isso, os envolvidos nas negociações intensificaram a pressão por transparência nas atas, embora reconheçam que uma pressão excessiva pode resultar em uma radicalização do regime.
As negociações agora consideram a iminente decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela sobre a validade das eleições. A presidente da corte, Carylsia Rodríguez, afirmou que sua decisão sobre o pleito será definitiva.
Brasil e Colômbia exigem que o CNE divulgue as atas, independentemente da posição do TSJ, que é fortemente influenciado pelo regime Maduro. No entanto, reconhecem que a decisão judicial, seja qual for, terá impacto político e precisará ser considerada nas negociações.
Lula sugeriu que se aguarde a decisão judicial: "Vamos esperar, porque agora tem uma Suprema Corte que está com os papéis para decidir. Vamos esperar qual será a decisão", declarou.
O cenário mais preocupante, segundo um interlocutor, seria a validação do pleito sem a apresentação das provas, o que poderia aumentar as tensões internas e limitar as opções de ação para o Brasil e outros atores internacionais.
