|
Hoje é Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2026.
A eleição presidencial da Venezuela aconteceu neste domingo (28) e gerou uma disputa intensa pelo resultado das urnas. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) declarou Nicolás Maduro vencedor com 51,2% dos votos, superando Edmundo González Urrutia, que obteve 44%. No entanto, a oposição alegou fraude, afirmando que González venceu com 70% dos votos. Segundo o advogado Renato Ribeiro de Almeida, "muito pouco pode ser feito" para resolver a situação de dois vencedores autodeclarados. Almeida, doutor em direito pela Universidade de São Paulo (USP), afirmou que "de alguma forma, Maduro vai ter de sair do poder". Ele destacou que organismos internacionais e países podem apenas censurar e aumentar as sanções já existentes.
Para o advogado, é evidente que "o povo da Venezuela quer mudança no comando do país". Ele observou que o atual mandatário dificulta o processo de apuração e que muitos eleitores não conseguiram votar, especialmente nas regiões de fronteira e venezuelanos residentes em outros países. Almeida considera um novo governo de Maduro "muito prejudicial ao povo da Venezuela" e acusa o presidente de apresentar um resultado "de forma artificial" para justificar sua vitória. "Infelizmente, algo que nós esperávamos que acontecesse. Não imaginávamos que haveria um processo democrático transparente, efetivamente com um vencedor com mais votos", analisou.
O apresentador Murilo Fagundes enfatizou que a discussão sobre a eleição na Venezuela não é sobre o sistema eletrônico de votação, que é testado e considerado seguro, mas sobre as violações em outras partes do processo eleitoral, especialmente o acesso das pessoas às urnas. "O que garante que não foram computados votos a mais para Maduro? Não é problema da urna. Mas a forma como as pessoas têm acesso aos locais de votação. Não participaram, efetivamente, observadores internacionais. Eleitores tiveram dificuldade para chegar. Burocracia para venezuelanos em outros países. No Brasil, só em Brasília, e muita gente foi à embaixada e não conseguiu", opinou Almeida.
Para o especialista, o resultado oficial deve mesmo apontar "mais uma vitória gigantesca de Maduro". "O regime autoritário está chegando ao esgotamento. A população não aguenta mais. É diferente do regime de Hugo Chávez [que morreu em 2013]", lembrou. Ele destacou que, naquela época, havia crescimento econômico, mas que Maduro "se perdeu completamente". "O que nós temos hoje é uma ditadura militar. Hoje, é autoritário. Usa as Forças Armadas ao seu bel-prazer, tem comando completo do Congresso e do sistema de Justiça", comentou.
Em relação ao Brasil, Almeida sugeriu uma postura de "cautela". "O Brasil não pode, oficialmente, queimar todas as pontes com a Venezuela, pois isso seria pior", explicou. Ele ressaltou a necessidade de pensar na melhor forma de ajudar, preferencialmente com uma saída pacífica de Maduro e um novo recomeço. No entanto, advertiu que o Brasil deve evitar declarações que possam piorar as relações com a América Latina e o resto do mundo, o que poderia agravar ainda mais a situação dos venezuelanos.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo "acompanha com atenção o processo de apuração". "Aguarda, nesse contexto, a publicação pelo Conselho Nacional Eleitoral de dados desagregados por mesa de votação, passo indispensável para a transparência, credibilidade e legitimidade do resultado do pleito", disse.
