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Hoje é Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta segunda-feira (15) seu interesse em firmar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia durante uma declaração conjunta com o presidente da Itália, Sergio Mattarella. Lula destacou que os europeus precisam resolver suas "contradições internas" para efetivar o acordo.
"Como fiz na recente Cúpula do Mercosul em Assunção, reiterei ao presidente italiano o interesse do Brasil em concluir, o quanto antes, um acordo com a União Europeia que seja equilibrado e que contribua para o desenvolvimento das duas regiões. Expliquei que o avanço das negociações depende de os europeus resolverem suas próprias contradições internas", afirmou Lula.
O presidente brasileiro também criticou a taxa de carbono imposta unilateralmente pela União Europeia, destacando que pode afetar cinco dos dez produtos brasileiros mais exportados para o mercado italiano. "A redução das emissões de CO2 é um imperativo, mas não deve ser feita com base em medidas unilaterais que impactam negativamente a vida dos produtores brasileiros e dos consumidores italianos", completou Lula.
Mattarella concordou com Lula, ressaltando a importância da cooperação entre os blocos dos dois continentes para a manutenção da paz mundial e as relações diplomáticas.
A Visita
O presidente italiano, Sergio Mattarella, foi recebido com honras de chefe de estado no Palácio do Planalto. Ele subiu a rampa do Palácio e recebeu a medalha da Ordem Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração dada a chefes de estado estrangeiros. A visita também comemorou os 150 anos da imigração italiana para o Brasil, sendo a primeira visita de um chefe de estado italiano ao país em 24 anos.
As cerimônias começaram por volta das 11h. Ao chegar no Salão Nobre do Palácio do Planalto, Lula cumprimentou a imprensa presente com um "buongiorno", demonstrando simpatia e cordialidade.
Durante a visita, integrantes dos governos brasileiro e italiano assinaram uma série de acordos, incluindo a conversão de carteiras de habilitação nos dois países.
Transição Energética
Lula destacou as principais pautas do Brasil na presidência do G20, como o combate à fome e a redução da emissão de gás carbônico através da transição energética. Ele lembrou que a Itália, durante a presidência do G7, convidou o Brasil para participar de um comitê de segurança alimentar. Em retribuição, o Brasil convidou a Itália para fazer parte de um grupo de combate à fome no G20.
"A redução das emissões de CO2 é imperativa, mas não pode ser feita de forma unilateral. A Itália é uma importante fonte de investimento no Brasil. Desde o início, trabalhamos para atrair ainda mais investimento. As empresas italianas são responsáveis por 150 mil empregos diretos aqui no Brasil", afirmou Lula.
Ucrânia e Gaza
Lula lamentou os conflitos na Ucrânia e na Palestina, afirmando que a falta de diálogo e de democracia leva a "consequências nefastas". Mattarella concordou, defendendo a construção de uma solução com dois estados na Faixa de Gaza para ajudar a conter a tensão na região.
Lula também expressou satisfação com a vitória de forças progressistas nas eleições do Reino Unido e da França, que considerou fundamentais para a defesa da democracia e da justiça social contra as ameaças do extremismo.
