| Naviraí/MS - Segunda-Feira, 24 de Junho de 2024

Médico denunciado por abuso sexual perde emprego na UFMS e se muda para o Canadá


Foto: Henrique Kawaminami Por: Editorial | 11/06/2024 10:01

Denunciado por abuso sexual por um sobrinho de 14 anos, um médico perdeu seu emprego na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e se mudou para o Canadá. A demissão foi por abandono de emprego. Para preservar a identidade da vítima, o nome do acusado não será divulgado.

O processo judicial teve início em 2015 na 7ª Vara Criminal de Campo Grande. O adolescente acusou o tio de cometer atos libidinosos tanto na casa do médico quanto na residência do próprio garoto. Segundo os autos, o acusado utilizou material pornográfico e mensagens de cunho sexual trocadas via WhatsApp para atrair a vítima.

A denúncia formal, que deu início ao processo, foi apresentada em novembro de 2016. No entanto, até junho de 2024, após oito anos, o caso ainda não teve uma sentença. Recentemente, a defesa do médico teve um pedido negado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) para a realização de novas diligências.

No pedido de habeas corpus, a defesa alegou constrangimento ilegal devido à decisão que negou a produção de provas técnicas adicionais. O pedido incluía a suspensão do andamento processual, a autorização para novas diligências, oitiva de peritos e a expedição de ofícios para duas operadoras de telefonia no Canadá. A liminar foi negada pelo desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva, que afirmou não haver indícios de abuso de poder ou ilegalidade no processo.

O advogado Ewerton Bellinati, assistente da acusação, atribuiu a lentidão do processo à saída do suspeito do Brasil para estudar no exterior. "Por isso esse tempo exacerbado. Mas agora o processo irá para sentença", afirmou.

A defesa do médico mantém que ele é inocente. “As denúncias são infundadas e inverídicas, e meu cliente está provando a inocência dele na ação penal. É tudo o que posso relatar sobre o assunto”, declarou o advogado Mohamed Alle Cristaldo Dalloul.

Em 2018, a UFMS anunciou a demissão do médico após a conclusão de um processo administrativo disciplinar. A penalidade resultou na demissão dos cargos de médico e professor. A portaria que oficializou a demissão seguiu a legislação sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, que prevê demissão em casos de abandono de cargo.




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