SÁBADO, 15 DE DEZEMBRO DE 2018
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27/11/2018 | Fonte: Globo Esporte

Fernando Alonso se despede da F1

Nos EUA, Alonso impressionou pela fácil adaptação — Foto: Reprodução/Twitter

Fernando Alonso está longe de ser uma unanimidade no paddock da Fórmula 1. Em 18 anos dentro da categoria máxima do automobilismo mundial, o espanhol colecionou polêmicas, envoltas em fortes declarações, porém pouco teve seu talento como piloto questionado. Desde sua estreia pela Minardi em 2001, o asturiano, então com apenas 19 anos de idade, mostrou que poderia marcar seu nome na história do esporte a motor, e o primeiro lugar no pódio seria questão de tempo até que se tornasse realidade.

No Brasil, palco que coroou seus dois títulos mundiais em 2005 e 2006, ele ressaltou a satisfação em deixar a F1 com resultados que foram além da própria expectativa, e que o respeito conquistado pelos colegas lhe valia mais do que os títulos. Títulos que faltaram, pelo menos na concepção de quem viu aquele jovem espanhol desafiar e vencer o então imbatível heptacampeão Michael Schumacher. Azar, incompetência, escolhas ruins? Alonso passou por tudo, viveu a F1 como poucos, intensamente.

Da estreia ao 1º lugar

Oriundo de um país com pouca tradição na F1, Alonso estreou na categoria pela Minardi no GP da Austrália de 2001. Vindo de um quarto lugar na F3000 (atual F2) no ano anterior, ele estava longe dos holofotes, em uma temporada que tinha como principal novidade a chegada do promissor Juan Pablo Montoya na Williams. Ao final do ano, o espanhol conseguiu deixar uma boa impressão, sendo contratado pela Renault para ser piloto de testes na temporada posterior.

Depois de passar um ano "de molho" testando pelo time francês, Alonso assumiu a vaga de Jenson Button no segundo carro da equipe em 2003. Empresariado por Flavio Briatore, também chefe da Renault, o asturiano não demorou muito para justificar a escolha, e logo em sua segunda corrida pela escuderia tratou de anotar a pole position. Se a vitória não veio na Malásia, ela aconteceria algumas etapas depois, na Hungria, não sem antes um grande susto no GP do Brasil.

Apesar da regularidade, 2004 foi um ano sem vitórias para Alonso na F1. Entretanto, o quarto lugar no campeonato dava um indício de que a temporada seguinte poderia ser ainda melhor. E assim foi. Em 19 etapas disputadas, o espanhol faturou nada menos do que sete troféus de primeiro lugar, encerrando, com duas etapas de antecedência, o domínio de cinco anos seguidos de títulos da Ferrari de Michael Schumacher.

Se existia alguma dúvida de que o campeonato mundial de Alonso em 2005 fosse uma exceção à regra, a temporada posterior mostrou que o espanhol tinha vindo para ficar. Foram mais sete vitórias para o currículo, em meio a uma disputa, desta vez, mais acirrada com o heptacampeão. No final, porém, mesmo resultado: bicampeonato para o piloto da Renault, que de quebra viu o rival da Ferrari se aposentar da categoria.

Bicampeão pela Renault, Alonso foi contratado em dezembro de 2006 pela McLaren. Ron Dennis, chefe do time britânico, assinou com o espanhol para tentar acabar com o jejum de títulos da equipe, que não vencia um campeonato de pilotos desde o finlandês Mika Hakkinen em 1999. Entretanto, o que o asturiano não contava era com a competição interna imposta por um novato garoto inglês de apenas 22 anos de idade.

Lewis Hamilton, pupilo de Dennis desde o kart, estreou na Austrália dividindo o pódio com Alonso, em terceiro, logo atrás do companheiro de equipe. O equilíbrio visto na primeira etapa se seguiu ao longo de toda a temporada, com a dupla compartilhando oito vitórias, quatro para cada um. No entanto, o resultado final não poderia ser pior. Kimi Raikkonen se aproveitou da "guerra de nervos" no box da McLaren, vencendo as duas últimas provas para conquistar o título mundial.

O estopim do confronto entre Alonso e Hamilton aconteceu durante o final de semana do GP da Hungria. Na ocasião, o inglês desobedeceu uma ordem para permitir que Alonso o ultrapassasse durante o treino classificatório. O espanhol bloqueou Hamilton em retaliação, mas recebeu uma penalidade de cinco posições no grid. Segundo artigo da "BBC", veiculado na última semana, Alonso teria chantageado a McLaren para que o time deixasse Lewis sem gasolina durante a corrida.

Ele teria ameaçado Ron Dennis de revelar detalhes sobre a espionagem da equipe britânica contra a Ferrari. Situação que gerou posteriormente a exclusão da McLaren do campeonato de construtores, além de uma multa de US$ 100 milhões. No final da temporada, com o título perdido para a Ferrari de Raikkonen, Alonso voltou para a Renault, onde se envolveria em mais uma grande polêmica, desta vez ao lado de Flavio Briatore.

De volta para casa, Alonso retornou à Renault com plenos poderes, sempre escoltado por Briatore. A equipe francesa, porém, estava longe dos tempos de glória vividos entre 2005 e 2006, e o espanhol passou dois anos longe da briga pelo tricampeonato da F1. No entanto, ele ainda conseguiu adicionar mais duas vitórias ao currículo, ambas em 2008, uma em Singapura e outra no Japão. Não, porém, sem um asterisco.

Na vitória em Marina Bay, Alonso foi beneficiado por um esquema arquitetado por Briatore. Na volta 14 da corrida, Nelsinho Piquet, orientado pelo dirigente italiano, bateu o carro deliberadamente, enquanto o companheiro de equipe era o único a ter feito o pit stop de reabastecimento. Se valendo dessa vantagem, o bicampeão rumou para a vitória, a primeira desde o retorno à Renault.

Demitido da equipe após o GP da Hungria do ano seguinte, Piquet resolveu denunciar a trapaça nos tribunais. Em 21 de setembro daquele ano, Briatore e Pat Symonds, engenheiro da Renault, foram chamados ao Conselho Mundial de Automobilismo da FIA para prestarem depoimento. Condenados, ambos deixaram a F1, enquanto Alonso passou ileso, assinando sua transferência para a Ferrari ao final da temporada.

Em busca de entrar no seleto grupo formado por Ayrton Senna, Nelson Piquet, Niki Lauda, Jackie Stewart e Jack Brabham, Alonso partiu para Ferrari com o objetivo de enfim conquistar o terceiro título mundial na F1. E o casamento com o time de Maranello não poderia ter começado de forma melhor. Logo em sua primeira corrida com o macacão vermelho, o espanhol saiu da terceira colocação, superou Sebastian Vettel e Felipe Massa, para vencer o GP do Bahrein.

Favorito ao título, ele chegou na última etapa, em Abu Dhabi, na liderança do campeonato, 8 pontos à frente de Webber, 15 de Vettel. Entretanto, saindo da terceira colocação no grid, Alonso sofreu com uma estratégia errônea da Ferrari, ficando "encaixotado" atrás da Renault de Vitaly Petrov. O bicampeão tentou diversas vezes a ultrapassagem, mas não conseguiu superar o russo, recebendo a quadriculada em sétimo. Com a vitória, Vettel faturou o título por quatro pontos de vantagem.

Nos quatro anos seguintes em que passaria na Ferrari, Alonso brigou pelo título apenas mais uma vez, na temporada de 2012. Levando a decisão até a derradeira etapa, no Brasil, o espanhol se viu com chances de vencer o campeonato quando, ainda no início da corrida, o rival Vettel foi tocado pela Williams de Bruno Senna, caindo para as últimas colocações. Porém, o alemão da RBR não se deu por vencido, iniciando uma impressionante recuperação, para fechar a prova em sexto, o suficiente para garantir o tricampeonato.

Desmotivado após sucessivas falhas na tentativa de trazer o título mundial de volta para Maranello, Alonso surpreendeu o universo do esporte a motor ao anunciar, no final de 2014, que voltaria para a McLaren na temporada seguinte. A ideia do asturiano era ser o alicerce na retomada da parceria entre o time britânico e a Honda. No entanto, os três anos que se seguiram não passaram de pura frustração. Com o carro da McLaren/Honda, o bicampeão teve como melhor resultado um quinto lugar, muito pouco para quem ainda buscava conquistar o tricampeonato da F1.

Despedida e busca pela Tríplice Coroa

Sem condições de brigar por vitórias na F1, Alonso decidiu tentar a sorte nas 500 Milhas de Indianápolis em 2017. Graças a uma parceria entre a McLaren e a equipe Andretti, o espanhol teve enfim um equipamento que condizia ao seu talento. Na classificação, foi o sétimo, na corrida, chegou a liderar, mas abandonou na parte final da prova fruto de quebra do motor Honda. A experiência foi tão satisfatória, que ele confirmou o retorno à prova já no ano que vem.

Seguindo em busca da Tríplice Coroa do automobilismo mundial (GP de Mônaco, Indy 500 e 24h de Le Mans), em 2018 o bicampeão da F1 estreou em Le Mans no cockpit de um protótipo da equipe Toyota. E logo na primeira tentativa, ele garantiu a taça, ao lado de Sébastien Buemi e Kazuki Nakajima. A vitória quebrou a sina da montadora japonesa, que nunca tinha conseguido vencer a tradicional corrida de longa duração na categoria principal.

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