SEXTA-FEIRA, 16 DE NOVEMBRO DE 2018
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26/06/2018 | Fonte: CAMPO GRANDE NEWS

Quadrilha vendia drogas a facções e como pagamento recebia joias e carros

Operação Laços de Família prendeu 21 pessoas e cumpriu cumprir 210 mandados de prisão, apreensão e sequestro de bens
Delegado Nilson Zoccarato, surpreendente Luciano Flores e auditor fiscal José Maria em coletiva de imprensa (Foto: Marina Pacheco)

Apontada como uma das principais fornecedoras de maconha para PCC (Primeiro Comando da Capital), a quadrilha desarticulada pela PF (Polícia Federal) durante a Operação Laços de Família, recebia valores milionários, joias, e até veículos como pagamento pela mercadorias entregue a facção. Nesta manhã, foram presas 21 pessoas envolvidas no esquema.

Com características de máfia e com forte vínculo com a maior facção criminosa do Brasil, o PCC, a quadrilha passou a ser investigada em 2015. Segundo o delegado Nilson Zoccarato, da Delegacia de Polícia Federal de Naviraí, foi justamente a ostentação dos integrantes em uma cidade de 18 mil habitantes, que chamou a atenção da polícia.

Em três anos de investigações, os agentes conseguiram interceptar mais de 27 toneladas de maconha que seriam entregue para a facção e identificaram os líderes do grupo, todas da mesma família. “A estrutura de clã, uma família toda estar dominando um grande ramo de tráfico internacional numa cidade tão pequena e com vínculos com facções criminosas, mostra que falamos de máfia”, reforçou o delegado.

Conforme as investigações, a base do grupo funcionava em Mundo Novo, de onde o subtenente da Polícia Militar Silvio César Molina Azevedo coordenava os crimes. Ele e o filho, Jefferson Henrique Piovezan Azevedo Molina - assassinado a tiros em junho de 2017 no centro da cidade - foram apontados como os líderes do esquema.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Luciano Flores de Lima, a família “mantinham o terror” e usavam a região cone sul para retirar toneladas de maconha do Paraguai e enviar para outros estados do país. O transporte da droga era feito em caminhões e carretas bitrem, por rodovias estaduais e federais.

Durante as investigações 11 veículos de carga e uma carreta foram apreendidos, todos usados no transporte de maconha. Ainda conforme a polícia, a família também “trabalhava” com a venda de cigarro e armas.

Sem ter como repassar todo o valor da carga, os traficantes pagavam parte da droga em joias e veículos. Em um dos casos, um helicóptero chegou a ser usado para entregar R$ 300 mil em dinheiro e mais R$ 80 mil em joias para a família do Policial Militar. A aeronave acabou sendo interceptada com o piloto Felipe Ramos Moraes, apontado como coordenador das rotas de tráfico aéreo do PCC.

Felipe foi preso maio deste ano por participação na execução de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, apontados como as maiores lideranças da facção paulista no Ceará. O helicóptero usado no crime, segundo a polícia, está entre as sete aeronaves apreendidas durante a operação. 

“O problema do tráfico em estados como o Rio de Janeiro e São Paulo decorre das quadrilhas instaladas na fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Para combater o tráfico de droga e arma, o contrabando de cigarro e agrotóxico, mais investigações como essa devem ser feitas para que surtam melhores efeitos a nível nacional, para combater quadrilhas que causa terror em estados outros estado, mas que tem suas raízes aqui em Mato Grosso do Sul”, afirmou Luciano.

Laços de Família - Equipes da PF foram às ruas de 5 Estado nesta segunda-feira (25) para cumprir 210 mandados de prisão, apreensão e sequestro de bens. Até o fim da manhã, 21 pessoas haviam sido presas, 15 delas em Mato Grosso do Sul – 2 mulheres e 12 homens, sendo 2 presos temporários e 10 homens presos preventivamente.

Ainda segundo a PF, muitos dos alvos de mandados de prisão- preventiva já são presidiários, mais uma evidência da ligação do clã com facções criminosas que agem de dentro dos presídios do país.

Dos 15 pessoas, segundo o delegado Luciano Flores de Lima, superintendente da Polícia Federal de Campo Grande, sete devem ser levadas para a Penitenciária Federal da Capital, “após autorização do juiz responsável em conceder a vaga”, devido ao grau de periculosidade e participação no esquema. O subtenente será transferido para o Presídio Militar.

Durante o cumprimento dos 35 mandados de busca e apreensão, três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. A PF só não detalhou também se os mesmos já eram alvos de mandados de prisão.

Para a Operação Laços de Família, foram expedidos no total 20 mandados de prisão preventiva, 2 de prisão temporária, 35 de busca e apreensão em residências e empresas, 136 de sequestros de veículos, 7 mandados de sequestro de aeronaves (helicópteros), 5 de sequestros de embarcações de luxo (incluindo o de um iate usado pelo PM considerado o cabeça do esquema e pela família dele para lazer) e 25 mandados de sequestro de imóveis(apartamentos, casas, sítios, imóveis comerciais).

Dez empresas, de fachada ou não e que foram identificadas como pessoas jurídicas que facilitava a lavagem do dinheiro oriundo do tráfico, foram fechadas por ordem da 3ª Vara Federal de Campo Grande.

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