TERÇA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2018
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03/06/2018 | Fonte: IstoÉ

A compaixão de Bardot pelos bichos

Ex-símbolo sexual relata em livro por que abandonou o cinema para se dedicar de corpo e alma à proteção dos animais — ato que ela compara a um sacerdócio
A atriz nos anos 1960: o amor à natureza se tornou missão (Crédito: Divulgação)

Em fevereiro de 1968, a escritora Marguerite Yourcenar (1903-1987) enviou uma carta a Brigitte Bardot. Ambas viviam o auge da fama. Marguerite havia publicado mais de uma dezena de livros, incluindo a obra-prima “Memórias de Adriano”, de 1951. Brigitte já estrelara quase trinta filmes, entre eles “E Deus criou a mulher” (1956), “O Desprezo” (1963) e “Eu sou o amor” (1967). Na carta, a belga que anos depois seria a primeira mulher na Academia Francesa, pedia à atriz que usasse sua notoriedade mundial para combater o massacre das focas, persuadindo mulheres a abandonarem roupas de pele. “Eu me dedicaria a isso nove anos depois, sem saber que alguém no mundo já havia pensado em mim para conduzir essa batalha”, afirma Brigitte em “Lágrimas de Combate” (Editora Globo). “Por ironia do destino, só vim receber a carta muito tempo depois”.

Foi por um programa de televisão que a atriz soube da crueldade do abate de focas para a indústria da moda. Pouco depois, em uma foto tirada em 1977 sobre uma geleira ártica no Canadá, Brigitte Bardot aparecia com um bebê foca no colo. A imagem estampou a capa da revista “Paris Match”, correu o mundo e se tornou um dos mais poderosos símbolos da luta pelo fim da matança — àquela época estimada em até 300 mil focas por ano. Ter passado alguns minutos em contato corpo a corpo com o bebê foca marcou profundamente a vida da atriz. “Prometi a mim mesma que passaria minha existência tentando salvar a deles”. Dez anos depois, o governo do Canadá finalmente proibiu a caça dos blanchons, os bebês foca. A primeira batalha estava ganha, mas o combate mal começara. Já afastada das telas, Bardot se dedicaria ao que chama de “sacerdócio” como defensora dos animais. “Minha ideia era criar uma associação para ter credibilidade e o reconhecimento que eu esperava sobre a condição animal”.

Nascia ali a Fundação Brigitte Bardot, financiada com a venda de objetos da atriz em uma barraca no mercado de Saint-Tropez, cidade que ela ajudou a celebrizar tanto quanto Búzios (RJ), por onde ela passou como um furacão. Como o dinheiro inicial foi insuficiente, Brigitte levou a leilão o que possuía de mais valioso: o primeiro violão, as joias que ganhou do empresário alemão Gunther Sachs (com quem fora casada nos anos 1960) e até o vestido de noiva com o qual subiu ao altar com o cineasta Roger Vadim. “Nunca me dou conta de que sou a base desse organismo de uma centena de funcionários em Paris e de seus milhares de doadores, representantes e pesquisadores voluntários em toda a França”, afirma, dizendo-se ainda hoje hipnotizada pelo tamanho que a fundação ganhou ao longo do tempo. A FBB mantém um parque para acolher ursos maltratados na Bulgária, além de hospitais veterinários no Chile, na Austrália, na Tailândia e na Tunísia. Entre as atividades mais famosas que a Fundação apoiou está o financiamento de duas missões encabeçadas pela ONG ativista Sea Shepherd na Dinamarca, em 2010 e 2014, para lutar contra o massacre de baleias. Desde 2011, a embarcação Brigitte Bardot é usada pela ONG em suas investidas. É mais uma arma da cruzada animal que tem como musa uma das mais belas criaturas que a natureza criou.

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