QUARTA-FEIRA, 20 DE JUNHO DE 2018
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27/05/2018 | Fonte: DOURADOS NEWS

Atleta paralímpica de Dourados ganha três ouros em competição nacional

Bethânia repetiu o resultado de 2017 e agora treina forte para competir em torneios internacionais - Crédito: Lucas Felipe

Mais uma vez a atleta paralímpica Bethânia Ferreira Gomes é motivo de orgulho para o esporte douradense. Durante os Jogos Paralímpicos Universitários de 2018, ela que é acadêmico de Serviço Social na Unigran na modalidade à distância, garantiu o primeiro lugar em três modalidades do atletismo, dardo, arremesso de peso e de disco, repetindo assim o resultado de 2017.

A competição ocorreu entre 9 e 12 de maio no CT Paralímpico, em São Paulo. O torneio é realizado pela CBDU (Confederação Brasileira do Desporto Universitário) e além do atletismo, os atletas competiram também na natação; bocha; judô; parabadminton; tênis de mesa; tênis em cadeira de rodas e basquete 3x3.

A atleta é um exemplo de superação, pois ingressou no esporte após perder mais de 90% da visão. Depois de meses de uma depressão profunda, começou a correr com a ajuda da treinadora Sandra Arosi, que estimulou a buscar na prática esportiva um eficaz antidoto para os problemas que vinha enfrentando. O resultado logo de início foi tão positivo que ela em 2016 resolveu criar o Clube Monte Sião, que hoje atende cerca de 20 pessoas com diversos tipos de deficiências, que assim como Bethânia, encontram no esporte um novo sentido na vida.

Resiliência

O destino de alguma forma coloca o entusiasmo e a perseverança de Bethânia à prova de tempo em tempos. Após dois anos de treinos intensos ela havia de fato encontrando um novo caminho e o esporte se tornou a razão de viver, porém, problemas de saúde novamente foram um obstáculo, quando no final de 2017 e começo de 2018, complicações renais, acompanhadas de severa anemia, a fizeram parar de treinar e a ficar quase um mês internada. A paratleta imaginava que este ano não conseguiria competir em nenhum torneio, contudo, em abril, 20 dias antes do início dos Jogos Paralímpicos Universitários retomou ao treinamento e contrariando até as próprias expectativas, repetiu o pódio conquistado na edição do ano passado.

Bethânia revela que neste momento o fator psicológico foi essencial para superar mais esse empecilho, pois afirma sem titubear que sem a ajuda da terapeuta Lilian Isidoro não teria alcançado este êxito inesperado. Agora que a poeira baixou já está de olho em outras competições, não só as regionais e nacionais, mas também as internacionais, pois há algum tempo, quando assumiu o esporte como nova profissão, passou a ver os Jogos Pan-Americanos e até as Olimpíadas como os olhos da possibilidade.

Conforme a paratleta, ela teria tudo para não progredir tecnicamente em nenhuma das modalidades, pois precisa fazer muitas adaptações nos locais de treinamento para desenvolver as habilidades no dardo, e nos arremessos de disco e de peso. “Meu treinador, o Sargento Somer, sempre me motiva quando estou sofrendo e as vezes me queixando por treinar em condições não ideias, ele afirma que “treino difícil, combate fácil”, e eu tenho acreditado muito nesse ditado, que tem se mostrado real e verdadeiro a cada torneio que participo”, complementou.

Monte Sião

Com os primeiros passos dados em março de 2016 o clube conta com 20 atletas (todos eles portadores de algum tipo de deficiência), que treinam regularmente em diversas modalidades. Sem fins lucrativos, o Monte Sião realiza um trabalho voluntário e custeia suas despesas com doações. Bethânia conta que uma das grandes conquistas foi um automóvel Fiat Doblô, fruto de uma parceria com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) no passado. O veículo é utilizado para o transporte dos atletas entre as áreas de treinamento.

Como não possui um centro de treinamento próprio, utilizam a infraestrutura esportiva da Unigran, instituição que sempre abriu suas portas para a causa. O Exército também desempenha papel fundamental nesta jornada, pois assim como a Unigran, cede espaço e profissionais para o aprimoramento técnico não só de Bethânia, como dos demais que compõem o grupo.

Como fundadora e presidente do clube, a paratleta conta que após superadas as dificuldades relacionadas ao transporte e também ao espaço para treinamento, agora o clube carece de recursos para bancar suplementos alimentares adequados aos atletas, pois a maior parte deles não tem condições de investir nestes produtos.

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