SEGUNDA FEIRA, 20 DE AGOSTO DE 2018
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13/05/2018 | Fonte: G1

Negros ganham R$ 1,2 mil a menos que brancos em média no Brasil; trabalhadores relatam dificuldades e ‘racismo velado’

Eliad, de 52 anos, Ellen, de 32, e Willian, de 21, relatam situações de dificuldades e preconceitos no mercado de trabalho (Foto: Celso Tavares/G1)

Eliad e uma conhecida ficaram desempregadas na mesma época. Uma amiga em comum resolveu ajudar. Encaminhou uma vaga de coordenadora de um projeto social em uma instituição pública para a conhecida. Para Eliad, ofereceu trabalho na sua casa, como doméstica. Eliad é negra; a conhecida, branca.

“Quem tinha expertise para trabalhar como coordenadora de um projeto era eu. Mas eu fiquei ali como doméstica. Precisava trabalhar, tinha uma filha para sustentar. É assim que as coisas funcionam”, diz Eliad dos Santos, de 52 anos.

Eliad tem mestrado em Teologia e História, estudou na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e já assessorou e coordenou diversos projetos sociais, principalmente envolvendo temáticas de gênero e raça.

Por conta de sua alta escolaridade, ela acaba se sobressaindo em relação à média de negros no país, que têm índices de educação mais baixos. Mas afirma que, em muitas situações, o preconceito é mais forte que os seus diplomas. “O Brasil é muito cruel nesse sentido, desse racismo velado. É muito difícil mesmo”, diz.

De acordo com dados do IBGE obtidos pelo G1, os trabalhadores negros ganham cerca de R$ 1,2 mil a menos que os brancos em média. Os dados são do 4º trimestre de 2017 e fazem parte da Pnad Trimestral, que disponibiliza informações desde 2012. Os números mostram que, entre 2012 e 2017, não houve nenhuma mudança substancial na diferença de rendimento entre negros e brancos.

Especialistas apontam que desigualdades históricas estão por trás das grandes disparidades enfrentadas pelos negros no mercado de trabalho. O menor acesso à educação é um deles, bem como condições de vida mais precárias.

Os negros, que são os pretos e os pardos, segundo classificação do IBGE, ganham bem menos que os brancos em média.
O preconceito e o racismo são o outro lado dessa “herança” centenária, que remete, ainda segundo especialistas, ao período de escravidão.

Há exatos 130 anos, a prática de comprar e vender outras pessoas foi abolida do país com a Lei Áurea, assinada no dia 13 de maio de 1888. Os negros, porém, foram escravos no país durante mais de 300 anos, um período marcado por diversas revoltas, mas também pela naturalização da servidão, segundo Maria Helena Machado, professora da Universidade de São Paulo especialista na história social da escravidão.

“No Brasil, a escravidão permeou a sociedade toda. As pessoas viviam com a escravidão de maneira muito naturalizada. Quando uma sociedade é construída sob uma base dessas, a mudança é bastante longa e difícil, é árdua”, diz a professora.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, a desigualdade no país é histórica. “A forma como houve o processo de colonização do país mais esse processo de escravidão acabam por trazer uma herança muito forte”, afirma.

Além da diferença média no salário, há mais trabalhadores negros sem carteira assinada que brancos — 21,8% e 14,7%, respectivamente. A desocupação desagregada por cor de pele também mostra que a taxa das pessoas que se declaram brancas (9,5%) é bem mais baixa que a das que se declaram pretas (14,5%) e pardas (13,6%).

Já entre os índices de educação, os negros também estão abaixo. Apenas 8,8% da população negra com mais de 25 anos frequentou uma faculdade. Para a população branca, esse índice é de 22,2%.

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