QUARTA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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22/05/2017 | Fonte: MIDIAMAX

Com suposto esquema de propina, JBS dominou indústria da carne em MS

Delação fala de propinas em troca de incentivos que passaram por 3 governos
Foto: Diego Giudice/Bloomberg

O conteúdo da delação premiada de um dos donos do império da JBS Foods, Wesley Batista, no âmbito da Lava Jato, jogou uma bomba nos últimos 3 governos de Mato Grosso do Sul. O empresário fala de esquemas de propina mediante isenção fiscal de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A empresa é uma gigante no Estado, onde opera com 22 unidades. Para conseguir o feito, a JBS assumiu R$ 38,2 milhões de dívidas de frigoríficos que não pagou.

Um dos capítulos da delação de Wesley se refere unicamente a Mato Grosso do Sul. No depoimento, prestado em 4 de maio de 2017 aos membros da Procuradoria-Geral da República Fernando Antonio Oliveira e Sergio Bruno Fernandes, Wesley revelou que funcionaria em MS um esquema de pagamento de propina em troca de redução da alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulacao de Mercadorias e Serviços).

No termo de declaração, Wesley Batista revela que o suposto esquema de pagamento de propina em troca de incentivos fiscais em Mato Grosso do Sul começou no governo Zeca do PT e esteve vigente até o final do ano passado, já na gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB). Em espécie, Puccinelli teria recebido R$ 30 milhões, e levado mais R$ 60 milhões via ‘doleiro’.Wesley revela na delação que que o esquema era operado por Joesley na época do governo Zeca, que cobrava 20% do valor do benefício de redução do ICMS, tendo como contrapartida o pagamento de propina. “Como este fato é de 2003, não temos mais o registro de quanto foi pago, nem a forma como foi pago”, diz.

Entretanto, o empresário cita que em 2010, enquanto candidato a deputado, Zeca teria pego R$ 3 milhões de Joesley para campanha, sendo R$ 1 milhão em doação ofic ial e R$ 2 milhões em espécie, no escritório da empresa em São Paulo.

Já no governo Puccinelli, a empresa teria dois operadores: o Ivanildo Miranda, que concedia ‘notas frias’ por ser produtor rural e ter bois e André Luiz Cance, já no fim, da gestão de André. O atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB) seria o próprio operador do esquema.

“Foram pagos por várias modalidades: notas frias, notas fiscais, doleiros e a terceiros no período do Puccinelli”. Na gestão de Reinaldo Azambuja, Wesley diz que Reinaldo é o próprio operador e que teria recebido o delator na Governadoria, na sala dele, para dar notas frias em troca de isenção de ICMS as empresas do JBS.

Gigante em MS

Presente em Mato Grosso do Sul de modo expressivo, a empresa atua em 9 cidades do Estado, com 22 unidades envolvendo desde confinamento até produtos de valor agregado. A JBS atua, em Mato Grosso do Sul, na Capital, e em diversas regiões do Estado. Ela está presente em Anastácio, Caarapó, Cassilândia, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Sindrolândia.

Já com relação à dívida, são valores 'herdados' na compra das unidades que passaram para o controle empresa. Na prática, a JBS Foods comprou empresas endividadas por preços mais baixos e não pagou as dívidas com a União.

Os dados são da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em Mato Grosso do Sul. E, mesmo com o volume do rombo, a dívida está 'suspensa' e parcelada, "em razão de alguma medida causa legal ou judicial não podem ser cobrados judicialmente no momento", segundo o órgão.

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