SÁBADO, 19 DE AGOSTO DE 2017
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17/05/2017 | Fonte: CORREIO DO ESTADO

Mãe obrigou adolescente a abortar porque pai era pobre

Garota de 17 anos teve de tomar chá e outro medicamento abortivo
Entrevista coletiva sobre o caso foi realizada nesta terça-feira (16) - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

Mãe de 37 anos que obrigou a filha, 17, a ingerir medicamentos abortivos e enterrar o feto não aceitava a situação financeira do homem com quem a garota estava envolvida. Ela, enfermeira e pedreiro envolvidos no crime foram presos ontem. O padrasto da adolescente está foragido.

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (16), a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), Aline Sinnotti Lopes detalhou que a consultora forçou a filha a abortar porque não aceitava o  fato do pai da criança ser pobre. A menina não queria isso", disse.

A declaração teve como base o “funeral” feito pela adolescente para o feto,  enterrado no quintal da casa da garota com uma rosa e um terço.

INVESTIGAÇÕES

Quando o caso veio à tona, em março deste ano, a garota disse que tinha agido sozinha, mas pouco tempo depois mudou a versão.

O perito médico-legista do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), Carlos Eduardo Trindade Amaral, explicou que um dos pontos que desmentiram a versão da menina foi o tamanho da cova, com 1,6 metro de profundidade.

“Nas condições em que ela estava, ela não teria capacidade física para cavar. Ela estava em jejum há dois dias ingerindo apenas chá. Quando a pessoa toma só chá fica desidratada, desorientada. Ela também perdeu muito sangue o que causa anemia imediata. A adolescente não tinha experiência como manusear pá e nenhuma marca na mão, indicando que teve ajuda de outra pessoa”, detalhou o legista.

As investigações apontaram que um pedreiro de 39 anos quem comprou o remédio abortivo com enfermeira, 38, e cavou a cova para enterrar o feto. Ele agiu sob as orientações da mãe da garota de quem era amigo.

O padrasto da garota não teve participação no crime, mas mentiu durante o depoimento para ser álibi da namorada. 

PRISÕES

De acordo com o delegado Bruno Urban, também da Deaij, a mãe da adolescente vai responder por aborto forçado sem consentimento da gestante, ocultação de cadáver, corrupção de menores e associação criminosa.

A enfermeira que forneceu o remédio abortivo vai responder por tráfico e associação para o tráfico.

O pedreiro será indiciado por aborto forçado sem consentimento da gestante,  ocultação de cadáver e associação para o tráfico.

O CASO

Adolescente de 17 anos, gestante de cinco meses, foi forçada pela mãe a tomar chá para abortar o bebê no último dia 15 de março. Depois do procedimento, a mãe enterrou o feto no quintal dos fundos da casa onde moram, no Bairro Guanandi, em Campo Grande.

A jovem relatou ter sido induzida pela mãe a tomar o chá. Isto porque a mãe da jovem não aceitava o namoro da filha com homem 10 anos mais velho.

A adolescente ficou dois dias em jejum só tomando o chá abortivo. Ela também ingeriu Cytotec – medicamento utilizado para úlcera no estômago e como abortivo — e expeliu o feto de 21 semanas, quando estava sozinha em casa. O feto foi enterrado no quintal da residência.

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